1 de Dezembro de 2018
Alguma coisa perturbava Talakune naquela noite. Rebolava na cama, de um canto a outro. Tinha calafrios e um mal-estar imperceptível. – “Será? Não. Não pode ser…” – Fazia questões que depois eram respondidas por ele mesmo. Foi daí então que decidiu pegar no termómetro. Avaliou a sua temperatura: “não, não tenho malária. Mas o que vem a ser isto?” Seria difícil para qualquer escritor descrever o sentimento que lhe atacava. Com o apoio da Palma direita, empurrava o seu queixo para os acrómios como que para libertar a tensão. “Será que ele me amaldiçoou? Não, ele não tem esse poder… hum, mas, posso estar enganado. E se ele tiver ido ao curandeiro? Também isso não, teria de ter dinheiro para pagar o serviço; e ele não tem dinheiro. Bom, talvez estou a preocupar-me demais com ninharias. Mas, por que será que me ocupo com tais ninharias? Por que é que, de chofre este estranho sentimento de ressentimento invadiu o meu corpo? Chega! Basta! A verdade é, Talakune, o que não te preocupa não te ocupa!”